OPINIÃO: a revolução dos bichos | Felipe Tedesco Orlandi

Diante dos fatos acontecidos no dia de nossa independência – manifestações, protestos, aglomerações, paralizações etc. – veio-me à mente a história da República dos Bichos, de George Orwell, lançada em 1945, em um momento crucial […]


Publicado por Felipe Vicari

há 2 semanas atrás

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Diante dos fatos acontecidos no dia de nossa independência – manifestações, protestos, aglomerações, paralizações etc. – veio-me à mente a história da República dos Bichos, de George Orwell, lançada em 1945, em um momento crucial da história contemporânea com a luta entre socialismo e capitalismo.

Muito embora a história trata da traição do socialismo para com a população, faço analogia com os dois polos militantes – tanto o “verde e amarelo” quanto o “vermelho” – desse dia 07 de setembro passado.

Ora, de um lado Deus, Pátria e Família. Prometeu equilibrar a economia, acabar com a criminalidade e com as mordomias dos políticos – da qual gozou por 27 anos como parlamentar federal. De outro lado, temos o mar vermelho, em que se pregou o compartilhamento, a distribuição de riqueza a todas classes e o desenvolvimento da população (à sua maneira) – sendo que somente eles possuem triplex.

Nos dois casos pregaram a revolução em que nós, frágeis cidadãos, acreditamos. Eles são os porcos – guardando respeito a analogia de George Orwell – e nós somos as ovelhas que repetem indistintamente “quatro patas bom, duas patas ruim”.

Enquanto o “verde e amarelo” prega que o povo está cansado das decisões de um Ministro do STF, mas que na verdade paira o medo sobre o próprio, o povo grita e reafirma “quatro patas bom, duas patas ruim”, ressonando por milhares, causando uma abominável ovação. Difícil de acreditar, mas saímos às ruas para apoiar um governo não toma atitude, ou sequer há planejamento, para contornar a moeda extremamente desvalorizada que nos tornamos, a insuficiência energética latente ou a inserção de inúmeras famílias retornando ao patamar da pobreza. Novamente, ressoa “quatro patas bom, duas patas ruim”, sem questionamentos pelos quadrúpedes.

De outra banda, o império vermelho do triplex suscita o decaimento do opressor “verde e amarelo”, por motivos tão aviltantes, que seria inimaginável a ocorrência de um novo governo comandado por si. A política do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço aqui impera, assim como na “República dos Bichos”. Enquanto os porcos tem de tudo do bom e do melhor, os outros animais acordam mais cedo, comem menos e trabalham mais, a fim de obter o agradável desejo coletivo de alguns.

Na Granja dos Bichos, o discurso mais eloquente é valorizado, por seus ideais que não se podem cumprir; quanto ao poder, vem àqueles que utilizam mecanismos obscuros para obtenção da glória animalesca. E nisso somos experts, estamos há quase 200 nos aperfeiçoando não questionar o porquê, apenas repetir “quatro patas bom, duas patas ruim”.

Imagem: A Revolução dos Bichos, de George Orwell/Reprodução

Felipe Tedesco Orlandi é advogado estabelecido na cidade de Garibaldi. Amante de um bom vinho e de boas conversas, Orlandi contribui trazendo leveza em seu conteúdo, apresentando textos que abordam assuntos relevantes e que influenciam no desenvolvimento e convívio da sociedade.

“Acredito que a melhor maneira de haver crescimento intelectual e humano de uma sociedade passa pela informação, devendo ser ela prestada com clareza e analisando os mais diversos pontos existentes de uma discussão. Pretendo aqui contribuir com minha expertise para essa devida finalidade.”

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Por Felipe Vicari

há 2 semanas atrás

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